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Vítor César, o professor que é uma das principais referências da rádio na região Oeste...

Vítor César, o professor que é uma das principais referências da rádio na região Oeste...

Vitor César Bernardes Rodrigues, tem 57 anos, é torriense de gema, nascido e criado nas "escadinhas do castelo, com um certo orgulho por ser castelhano", há meia dúzia de anos a viver em São Pedro da Cadeira, onde é professor na escola local, depois de um quarto de século a lecionar na APECI, em Torres Vedras, é um dos mais experientes e credíveis homens da rádio da nossa região.

Recebeu-nos em casa e fomos conversar com este comunicador nato, sobretudo para nos falar dessa sua paixão de sempre, naquele tom calmo e pausado em que nos habituámos a escutar o Vítor César.

Na sua juventude, os tempos foram "muito ricos, do ponto de vista musical, vivia-se o movimento hippie, quando surge por cá, em Portugal, bem como os movimentos musicais ligados ao 25 de Abril, e isso leva a uma grande paixão pela música".
Começou a tocar órgão e guitarra em pequenas bandas, integrou "grupos que fizeram rock na altura, nos anos 80, até que em 85 aparece a rádio no seu caminho" e depressa se torna numa verdadeira paixão.
Embora já existisse algumas emissões "piratas" nessa altura - no Barro, na Serra da Vila e na cidade - acaba por ser um dos fundadores de um projeto de rádio que se manteve até aos nossos dias, a Radioeste, que começou por se chamar Rádio Torres Vedras.
Como nos conta, nessa altura "eu e três amigos juntámo-nos para fazer rádio, com uma emissão regular por semana, à sexta-feira.
O projeto foi bem aceite, as pessoas gostam, e quando Torres Vedras passa a cidade, no dia 11 de Novembro de 85, resolvemos fazer emissão o dia inteiro. Esse foi aquele que considero o grande marco de afirmação da rádio, até porque entretanto surge outro grupo de pessoas também a fazer rádio, na Rádio Estremadura, e o despique foi determinante, pois cada um queria fazer melhor que o outro e isso era saudável.
Foi uma época muito rica, de muita criatividade, empenhamento e entrega e foi aí que se cimentou essa minha grande paixão pela rádio e pela comunicação". refere Vitor César com alguma emoção e nostalgia à mistura.
A partir daí a música fica para segundo plano e abraça a rádio como prioridade onde, como adianta, "desde aí até aos dias de hoje nunca deixei de fazer rádio e fiz de tudo um pouco, menos relatos de futebol..." (sorriso).
Embora com muitos convites e propostas pelo meio, sente-se "em casa e com liberdade de acção" e acaba por se manter sempre na sua rádio de origem, a Radioeste, porque, segundo nos confidencia "tinha uma profissão de raiz, era professor, e não queria abdicar de uma paixão em deterimento de outra".
Todos nos habituámos a escutar Vítor César nas horas calmas da rádio, talvez por a última imagem ser a que mais força tem na nossa recordação, mas não tão bem o percurso deste comunicador, até por na maior parte do tempo as pessoas conhecerem a voz calma e segura mas não conhecerem a pessoa que estava por trás, muito por culpa dele próprio, como diz: "durante muitos anos evitei dizer o meu nome nas emissões, porque era professor e não queria criar um fator perturbador para essa minha outra paixão, que é o ensino. Ultimamente o meu nome já aperece mais, e daí talvez essa conotação do Vítor César aos programas mais calmos e às músicas mais românticas, e que tento bem escolhidas.

 

Atualmente está a fazer
um progarama
"suave, romântico e muito cuidado"

Mas ao longo destes anos fiz os mais variados tipos de programa. Comecei por fazer, por exemplo, o "Rock Cruzado", tive um outro programa, que se chamava "Bastidores", onde entrevistava toda a gente que fazia rádio, figuras da região, da sociedade, da política, do desporto, etc, fiz de 'pivot' do desporto durante uma série de anos, fiz também o "No Reino dos Oceanos", em que com o falecido Jorge Barata abordávamos temas mais científicos.
Mas, também durante alguns anos fiz o "Acordar", das 7h às 9h da manhã, a meio dos anos 90. Levantava-me cedo, vinha fazer o programa e, como só entrava às 10h na escola, servia-me para chegar às aulas já com uma 'pedalada' enorme, completamente diferente dos meus colegas que tinham acabado de acordar (sorriso).
Durante muitos anos fiz também os finais de tarde, aquilo a que em rádio chamamos o acompanhar no regresso a casa, depois sim, comecei a fazer um programa a partir da maia noite, "As Noites Tranquilas da Radioeste", um programa romântico, sereno, com que as pessoas se identificavam muito, até porque ia ao encontro da solidão de muitas dessas pessoas. Talvez pelo sucesso que tiveram essas "Noites Tranquilas" as pessoas me identifiquem mais com esse registo de rádio, até porque era um tipo de programa a que as pessoas, para além do entretenimento, prestavam mais atenção".
Esta é uma verdade que podemos confirmar, até por esse programa, em horários concorrenciais com programas referência nas rádios nacionais como o "Oceano Pacífico" ou a "24ª Hora" não ficar nada a perder, sendo na maior parte das vezes o preferido, em deterimento deles, por aqui pela região, tal a sua qualidade.
Mas, aquilo a que Vitor César dá mais importância, em todos estes anos de rádio, é "ao facto de ser uma vivência muito enriquecedora, de ter conhecido muita gente, e sobretudo estar muito agradecido pelo reconhecimento das pessoas em relação ao trabalho que tenho feito. Essa boa vibração que sinto por parte das pessoas para comigo é o maior pagamento que alguma vez poderia ter tido".
Atualmente está a fazer um progarama "suave, romântico, muito cuidado, com o patrocínio de uma marca de prestígio, que gostou da voz e do registo e vai "na onda" do que fiz nestes últimos anos, inspirado nas "Noites Tranquilas", que ainda são uma fórmula com algum sucesso. É um programa que está no ar entre as 8h e as 10h da noite nesta altura, na Oeste".
Os tempos são diferentes daqueles em que Vítor César começou. Hoje é possível fazer pequenas maravilhas com meios muito reduzidos. Como nos refere "a evolução foi mesmo enorme e dá uma liberdade muito maior ao locutor, que pode preparar os progamas com mais atenção, muito mais perfeitos, não tendo que os fazer em direto, contado com o improviso do momento. Claro que se perde aquele sabor da aventura do direto, mas é uma enorme evolução.
Lembro-me que comecei com os discos de vinil (era um dezassossego quando tiravamos uma capa e lá dentro não estava o disco) passou-se depois para os CD's, o que já foi significativo, depois, por fim, aparece a música digital, que permite uma maior velocidade de processos e uma qualidade a todos os níveis superior.
É verdade que passei por todas estas fases, mas elas surgiram naturalmente, pelo que nunca senti um choque tecnológico muito grande. Os mesmo se passa com os equipamentos, que tiveram igualmente uma enorme evolução, mas foi sempre no sentido de facilitar e simplificar os processos. Agora é tudo muito mais simples e permite uma qualidade muito maior".
"Ao mesmo tempo que as tecnologias evoluiram, as pessoas também estão diferentes", refere Vitor César, "as pessoas que es-cutam rádio estão muito mais exigentes. A rádio teve um papel muito importante na formação da sua cultura musical, mas talvez por isso o grau de exigência é muito superior.
Sobretudo na nossa região, a força da rádio foi tão grande e determinante que foi uma das causas para hoje em dia termos também excelentes músicos por aqui, em quase todas as áreas e géneros... músicos e produtores, uma área em que considero sermos uma referência nacional".
E não só nesse campo se deu a evolução, nos próprios elementos que foram passando pelas rádios da região, e aí se foram formando, nasceu uma fornada de radialistas, e não só, muito forte, "há colegas que por aqui começaram e neste momento estão a fazer carreira nas melhores rádios nacionais, nas televisões, nos jornais, na produção profissional de alta qualidade. É um orgulho enorme assistir à sua evolução, o que só comprova que as rádios regionais foram, e são, uma grande escola. É um prazer poder fazer parte de tudo isto, ainda hoje".
Aos 57 anos, Vitor César não se consegue cansar das suas paixões, ainda hoje pensa que muito há para fazer e para evoluir, e confidencia que "vamos ter Vitor César muito mais anos a fazer rádio, enquanto sentir que as pessoas gostam de ouvir e que reconhecem o trabalho que faço. No fundo, como dizia a fadista 'até que a voz me doa'". Porventura não a fazer o tipo de programa que mais prazer lhe dá e que é "conversar com as pessoas frente ao microfone" mas fazendo aquilo que o ouvinte mais valoriza.
"Temos que perceber que embora façamos rádio por prazer, existe sobretudo a obrigação de proporcionar esse prazer de quem nos escuta. A rádio tem sempre muitas necessidades, e se sou útil e reconhecido no tipo de programa que faço atualmente, dentro de um registo de serenidade, tranquilidade e paz, então o caminho pode continuar a ser por aí... o futuro o dirá".

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