DESPORTO
ENTRETENIMENTO
| Mania das grandezas - Falta-nos uma classe política com vocação para o serviço público |
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| Escrito por José Maria Pignatelli |
| Segunda, 08 Fevereiro 2010 10:19 |
Trinta e cinco anos de democracia, bilhões de euros recebidos da Comunidade Económica Europeia, aumento considerável e inquestionável da quilometragem de auto estradas, mais pontes, novo metro na cidade do Porto e aumento da rede de metro em Lisboa, melhoramentos relevantes nas redes de saneamento básico e distribuição da energia eléctrica, novos
hospitais, novas escolas, algumas reformas do ensino, dezenas de centros comerciais e grandes superfícies comerciais, dez novos campos de futebol, muitos eventos alguns de elevada importância no panorama internacional, algum crescimento da investigação científica, muitos mais licenciados mas sobretudo em cursos humanísticos e menos do que o desejado em cursos técnicos, quatro canais abertos de televisão, telenovelas como novo género da representação artística, mais de 5 milhões de portugueses a comunicar por telemóvel, perto de 700 mil desempregados, mais de milhão e meio de pobres, foram algumas das coisas que o pós revolução do 25 de Abril nos ofereceu. Também não temos uma classe política culta, tecnicamente evoluída e actualizada e, acima de tudo, educada e com vocação de serviço público.
Em 35 anos as obras nem sempre foram bem feitas e sem polémica em torno da sua execução tão-só por surgirem quase sempre erros técnicos e opções duvidosas. Também nos ofereceu uma liberdade de expressão muitas vezes ofendida e censurada. Mais uma vez são os que trabalham por conta de outrem e particularmente a classe média que pagará a crise e contribuirá para a descida do deficit. Mais uma vez ignoramos os muitos milhões de euros (estatística aponta para 10 mil milhões) que estão por cobrar pelo Estado e que dependem de resoluções judiciais. Deveria ter sido o primeiro Ministro José Sócrates a anunciar ao País a verdadeira dimensão do desastre da economia nacional e não Teixeira dos Santos já em período de confrontação com os relatórios de analises feitas por instituições internacionais Para depois -sim- em silêncio tentar encontrar uma solução tão justa quanto possível, pelo menos no âmbito social. Não é admissível a ausência de reformas de fundo e corajosas atinjam ou não interesses instalados - o Governo vai afinal dirigir os destinos do País e, portanto, não há razão para receios de espécie alguma. Pode começar por arrumar a casa e acabar com o despesismo público injustificado - por exemplo auditar os municípios onde impera ainda algum feudalismo e se tomam decisões controversas e muitas vezes de fraco nível técnico. Devia-o ter feito nos últimos anos, antes de lhes aumentar as competências e as dotações financeiras que, apesar de tudo tem aumentado. Recordo que poucos políticos se manifestaram contra a construção de 10 estádios de futebol para a realização do "Euro 2004", pagos quase exclusivamente pelo Estado e autarquias. Aliás alguns deles não servem para quase nada, as suas manutenções são suportadas por municípios e dramaticamente inferiores às receitas - vejamos os casos do Estádio de Aveiro, Leiria e Algarve. Trinta e cinco anos de democracia não nos podem trazer apenas meia liberdade de expressão e uma enorme manifestação de dualidade de critérios e irresponsabilidade nas decisões mais importantes para o futuro do País... Sem estratégia nenhuma sobre que sectores devemos ou não apostar e desenvolver. Naturalmente à nossa pobre democracia faltam práticas fundamentais e uma classe dominante culta, tecnicamente evoluída e actualizada, desprendida de determinados bens materiais e, acima de tudo, educada e com vocação de serviço público. Não é possível fazer uma reforma da Administração Pública na sua base se as cúpulas não forem exemplares e capazes de bons exemplos... E para já, 35 anos não chegaram para nos tirar do subdesenvolvimento económico, político, social e cultural. |
Já é conhecida a data de edição do álbum de estreia do projecto Teratron. O álbum homónimo do projecto de música electrónica, da dupla de produtores João Nobre e Pedro Quaresma (membros dos Da Weasel) estará à venda no próximo dia 28 de Setembro.



