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"Teratron" editam albúm em finais de Setembro
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Entrada Política Mania das grandezas - Falta-nos uma classe política com vocação para o serviço público
Mania das grandezas - Falta-nos uma classe política com vocação para o serviço público PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por José Maria Pignatelli   
Segunda, 08 Fevereiro 2010 10:19
politicosTrinta e cinco anos de democracia, bilhões de euros recebidos da Comunidade Económica Europeia, aumento considerável e inquestionável da quilometragem de auto estradas, mais pontes, novo metro na cidade do Porto e aumento da rede de metro em Lisboa, melhoramentos relevantes nas redes de saneamento básico e distribuição da energia eléctrica, novos  hospitais, novas escolas, algumas reformas do ensino, dezenas de centros comerciais e grandes superfícies comerciais, dez novos campos de futebol, muitos eventos alguns de elevada importância no panorama internacional, algum crescimento da investigação científica, muitos mais licenciados mas sobretudo em cursos humanísticos e menos do que o desejado em cursos técnicos, quatro canais abertos de televisão, telenovelas como novo género da representação artística, mais de 5 milhões de portugueses a comunicar por telemóvel, perto de 700 mil desempregados, mais de milhão e meio de pobres, foram algumas das coisas que o pós revolução do 25 de Abril nos ofereceu. Também não temos uma classe política culta, tecnicamente evoluída e actualizada e, acima de tudo, educada e com vocação de serviço público.

Em 35 anos as obras nem sempre foram bem feitas e sem polémica em torno da sua execução tão-só por surgirem quase sempre erros técnicos e opções duvidosas. Também nos ofereceu uma liberdade de expressão muitas vezes ofendida e censurada.
Também estas dezenas de anos em democracia serviram para nos deixar em estado e penúria, termos pobreza envergonhada, reformados a pagar IRS... Depois de meia dúzia de anos onde vivemos relativamente à larga, a gastar aquilo que tínhamos e o que não tínhamos, a avaliar pela actual situação da economia do País. Podia-se perguntar - mas afinal como se gastaram os dinheiros comunitários, onde estão as contas das ‘Expo 98', do ‘Euro 2004', das auto estradas, das pontes e, por exemplo das reparações e reconversão da rede viária... Ainda dos custos operativos de dezenas de Institutos Públicos e comparticipações nas empresas público-privadas. Como e com que critérios se têm gerido as finanças do País.

Mais uma vez são os que trabalham por conta de outrem e particularmente a classe média que pagará a crise e contribuirá para a descida do deficit. Mais uma vez ignoramos os muitos milhões de euros (estatística aponta para 10 mil milhões) que estão por cobrar pelo Estado e que dependem de resoluções judiciais.

Deveria ter sido o primeiro Ministro José Sócrates a anunciar ao País a verdadeira dimensão do desastre da economia nacional e não Teixeira dos Santos já em período de confrontação com os relatórios de analises feitas por instituições internacionais Para depois -sim- em silêncio tentar encontrar uma solução tão justa quanto possível, pelo menos no âmbito social. Não é admissível a ausência de reformas de fundo e corajosas atinjam ou não interesses instalados - o Governo vai afinal dirigir os destinos do País e, portanto, não há razão para receios de espécie alguma. Pode começar por arrumar a casa e acabar com o despesismo público injustificado - por exemplo auditar os municípios onde impera ainda algum feudalismo e se tomam decisões controversas e muitas vezes de fraco nível técnico. Devia-o ter feito nos últimos anos, antes de lhes aumentar as competências e as dotações financeiras que, apesar de tudo tem aumentado.
E é porventura entre as autarquias que o despesismo injustificado é maior - as Câmaras Municipais queixam-se todos os anos que as verbas do Orçamento de Estado acrescidas das receitas próprias não chegam para cobrir as despesas previstas. Basta ver que temos mais de 500 empresas municipais e automóveis recentemente adquiridos por algumas edilidades, mesmo as mais pequenas que não ultrapassam os 10 mil eleitores, tem presidentes que se deslocam em viaturas iguais ou superiores a de alguns ministros (BMW 525tdi), com valor de custo acima dos 55 mil euros... E isto para não falar de outros abusos de poder que determinam investimentos técnica e juridicamente inaceitáveis e mesmo ilegais.

Recordo que poucos políticos se manifestaram contra a construção de 10 estádios de futebol para a realização do "Euro 2004", pagos quase exclusivamente pelo Estado e autarquias. Aliás alguns deles não servem para quase nada, as suas manutenções são suportadas por municípios e dramaticamente inferiores às receitas - vejamos os casos do Estádio de Aveiro, Leiria e Algarve.
Mais recentemente aparecem propostas para outros elefantes brancos que prometem consumir mais do que os lucros que possam vir a dar ao País - a construção da linha ferroviária para o TGV, um novo aeroporto e uma nova travessia do Tejo, tudo em nome do desenvolvimento económico. Aliás, no que se refere à linha TGV convém recordar que ainda não estão concluídos os melhoramentos na linha Porto - Lisboa que permitam uma normal circulação dos actuais comboios pendulares - "troços" existem em que não se ultrapassam os 60/80 Km/h quando se devia circular a uma velocidade entre os 190 e 210 km por hora. Também nunca ouvimos ninguém explicar que desenvolvimento trás ao País o TGV que é manifestamente um transporte trans-continental.

Trinta e cinco anos de democracia não nos podem trazer apenas meia liberdade de expressão e uma enorme manifestação de dualidade de critérios e irresponsabilidade nas decisões mais importantes para o futuro do País... Sem estratégia nenhuma sobre que sectores devemos ou não apostar e desenvolver.
Por exemplo, os noruegueses e suecos não necessitam de ter linhas TGV, milhares de quilómetros de auto-estradas, luxuosos estádios de futebol, "euros", políticos e gestores públicos a deslocarem-se em carros de luxo, etc., para serem porventura as melhores e mais justas sociedades europeias, com os salários mais altos do velho continente... E no caso Norueguês nem tão pouco precisa de integrar a Comunidade Europeia.

Naturalmente à nossa pobre democracia faltam práticas fundamentais e uma classe dominante culta, tecnicamente evoluída e actualizada, desprendida de determinados bens materiais e, acima de tudo, educada e com vocação de serviço público. Não é possível fazer uma reforma da Administração Pública na sua base se as cúpulas não forem exemplares e capazes de bons exemplos... E para já, 35 anos não chegaram para nos tirar do subdesenvolvimento económico, político, social e cultural.

 

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