São Pedro da Cadeira é uma freguesia com cerca de vinte e dois quilómetros quadrados e perto de 5 mil eleitores. Em discurso directo, o presidente da Junta de Freguesia de São Pedro da Cadeira, prof. João Varela, conta
que é necessário fazer muita ginástica e ter muita criatividade para gerir o orçamento da sua freguesia.
Numa altura em que se fala tanto do ‘estado da nação', pergunto-lhe: Qual o estado da freguesia a que preside? João Varela - O estado da freguesia penso que, embora não seja ainda o ideal que pretendemos, está bem. Nos vinte e dois quilómetros quadrados de freguesia, existem seis localidades e uma diversidade enorme de lugares e casais. Temos, por exemplo, uma escola por localidade...
Falando de escolas, qual o papel da Junta nas escolas? J. V. - Para além de outros, temos diversos protocolos com o município. Fazemos a limpeza interior e exterior, executamos pequenas obras (as grandes obras são responsabilidade da Câmara) e prestamos apoio à família, nomeadamente facultando e servindo refeições a todos os alunos que assim o queiram. Para além disso, temos duas carrinhas a circular diariamente, afectas ao transporte de crianças para as escolas, que fazem cerca de dois mil quilómetros por mês, nomeadamente, onde o aglomerado populacional é mais disperso, bem assim como para os jardins de infância de Cambelas e São Pedro. Vamos ainda buscar os alunos a Soltaria, porque a escola fechou no pas-sado ano e assumimos essa responsabilidade.
Em termos de educação, as coisas na freguesia estão a correr bem... J. V. - Sim, em termos de educação julgo que somos uma freguesia com alguma qualidade educativa, no ensino básico, quer em termos de profissionais, quer de condições, ainda assim, e tendo em vista melhorar ainda mais o rendimento e o enquadramento dos jovens alunos na vida escolar que têm pela frente, estamos a planear a construção de um centro educativo, na sede da freguesia, que, esperamos esteja concluído daqui a quatro anos. É um local onde se possa optimizar todas essas condições e preparar os nossos jovens para o tipo de escola que vêm a encontrar quando terminam o primeiro ciclo. Para além disso, vai permitir que, num só espaço, os alunos tenham tudo aquilo de que necessitam, como salas de aulas, ginásio, refeitório, parque desportivo, etc.
Bem, mas sabendo que actualmente algumas dessas actividades se desenvolvem nas diversas colectividades e até em espaços particulares, esse vai ser um problema a ter que ser ultrapassado... J. V. - É verdade. Actualmente as nossas colectividades, exceptuando duas delas, só abriam as suas portas ao final do dia, estando as escolas a ocupar os seus espaços durante o dia, rentabilizando os mesmos e contribuindo, com os protocolos existentes, para o seu saudável funcionamento. É um novo problema que se vai colocar e vamos ter que, em conjunto, encontrar soluções para o ultrapassar. Ainda assim, pela mais valia que representa para os nossos jovens, temos obrigação de avançar. No fundo, quase todos somos pais, somos avós, e sabemos bem o que representa a educação e o bem estar dos nossos filhos e netos. Eles merecem que façamos tudo o que esteja a nosso alcance.
Falando em colectividades, qual o panorama desportivo na sua freguesia? J. V. - O desporto na freguesia nunca esteve tão bem. Isto, se olharmos a números e participação das pessoas. Aqui, em São Pedro, temos umas instalações dignas e adequadas, com balneários novos, relva sintética, iluminação satisfatória, bancadas para a assistência, todos os escalões de futebol, desde as escolinhas aos veteranos, e um protocolo com o S.L. Benfica. Para além disso, temos ténis de mesa, Tae-Kwon-Do e educação física para os séniores. Nas outras localidades muito se faz também, como por exemplo na Coutada, onde para além da ginástica de manutenção, o futebol se encontra bastante activo, com escolinhas, juvenis, juniores e seniores. Embora ainda não tenha campo relvado, tem um ringue descoberto com algumas condições e um projecto para construção de um pavilhão polidesportivo, com muita dignidade, para servir a população.
E nas outras localidades da freguesia? J. V. - Em Cambelas, por exemplo, existe uma equipa de pesca desportiva, e está à disposição de todos a educação física (neste momento estão com cerca de 50 alunos, a praticar desporto duas vezes por semana). Já na Escaravilheira, funciona uma escolinha de futebol. Na Soltaria, como a escola primária foi desmantelada, acabámos por fazer um protocolo com a associação e agora o espaço funciona como sala da associação. Existem mais associações na freguesia, como a Associação de Socorros, que não desenvolvem actividades desportivas.
Voltando ao trabalho da Junta, que investimentos e que obras têm sido realizadas? J. V. - Este Executivo tem tido a preocupação de realizar obra por toda a freguesia, ou seja descentralizando o trabalho, para que todas as localidades sejam abrangidas. A título de exemplo, podemos falar da construção de passeios, que vamos fazendo à medida das necessidades. Este ano colocámos passeios em Soltaria, o ano passado na Escaravilheira (uma obra que ainda está por concluir), sendo que, quase todas as localidades, embora não na totalidade, mas, já têm passeios. As nossas ocupações têm a ver com o apoio que damos às colectividades, com a limpeza das ruas, valetas, caminhos, etc. Construímos, por exemplo, duas pontes sobre a ribeira entre a Escaravilheira e a Azenha Velha, entre outras. Andámos recentemente, ao lado da Câmara, a preparar algumas estradas para serem alcatroadas, em especial no Casal do Barro e Coutada, sendo que já temos igualmente prevista a zona dos Carvalhais. Ainda assim, ficam a faltar algumas estradas e caminhos que ainda estão por asfaltar e são merecedoras de toda a nossa atenção. Vamos tentar este ano, uma vez que já existe a promessa, concretizar mais destas obras. Temos sempre trabalho para realizar! Uma das obras que, pessoalmente, gostaria de ver iniciada é a construção de um estaleiro para a Junta de Freguesia, porque não temos espaço nas duas garagens que temos, para guardar as nossas máquinas e materiais. Já temos um acordo para um promotor da terra nos construir um armazém, com 450 mts de área coberta, num terreno de mil metros em troca de uma permuta com um terreno municipal. Esta era uma das obras que gostava de ver realizada antes de acabar o mandato, até porque a considero prioritária. Há ainda algumas obras que consideramos sonhos possíveis. São elas a construção de um pavilhão e de uma piscina, pois são obras mais do que justificadas, pelo número de habitantes que temos a utilizar estruturas deste género fora da freguesia.
Em termos de orçamento, como conseguem financiar estas obras e intervenções? J. V. - Não é muito fácil e temos que gerir muito bem o dinheiro que temos, poupando de um lado, para podermos avançar no outro. Saliento, por exemplo, uma obra que realizámos recentemente na Escaravilheira, onde conseguimos poupar cerca de 5 mil euros, assim, usámos esse valor para construir passeios noutro sítio. Conseguimos fazer isto porque, em vez de entregar empreitadas a empresas privadas, temos dois pedreiros a trabalhar para a Junta que fazem os trabalhos. Por outro lado, durante o ano, vamos assinando alguns protocolos com a autarquia para a realização de determinadas intervenções. Quando possível e necessário.
Têm que ser criativos para poder gerir esse dinheiro... J. V. - Temos que ser muito criativos, temos que trabalhar muito e, ainda assim, temos muitas dores de cabeça. Temos que tentar dar a volta às questões para chegar aos melhores resultados.
É bom viver na freguesia de São Pedro da Cadeira? J. V. - Bem, sou suspeito para falar nesse ponto, porque eu adoro a freguesia e não me imagino a morar noutro lado. Mas, acho que é bom viver aqui, pois temos de tudo, desde praia, estruturas, comércio, campo, etc. Por outro lado, também posso afirmar que São Pedro está a crescer bastante ao nível de urbanizações e logo, também, no que toca a habitantes. Posso dizer que temos cerca de 400 alunos nas escolas básicas, mais 150 nos Jardins Infantis, o que é já significativo.
Um dos problemas da Freguesia são os acessos, principalmente à sede de concelho e a Lisboa, mas neste momento decorrem algumas obras... J. V. - Está a ser beneficiada a Estrada Nacional 9, o que vai melhorar substancialmente o trânsito para Torres Vedras, mas vamos continuar a ter problemas na Coutada, onde o trânsito continua a passar por dentro da localidade, bem como na Ponte do Rol. Poderia ter sido contemplada uma variante à Coutada, mas sabemos que se trataria de uma obra muito cara. Uma das questões que queria destacar tem a ver com as paragens dos autocarros, que vão ficar todas fora das faixas de rodagem. Nesse sentido é uma melhoria significatva, quer em termos de circulação quer de segurança. Outra das questões que levanto, tem a ver ainda com a Estrada Nacional 9, cujas obras terminam antes do final da freguesia de São Pedro da Cadeira, na zona das bombas de gasolina de São Pedro, cerca de um quilómetro antes do final do concelho. Na minha opinião a obra deveria estender-se por mais alguns metros (são cerca de mil metros) e, pelo menos, chegar ao limite do concelho. Vamos tentar intervir neste sentido, junto da Câmara e das Estradas de Portugal, mas não sabemos se tal será possível.
Quanto ao futuro? J.V. - Bem, o futuro, sobretudo numa Junta de Freguesia, constrói-se todos os dias. É verdade que, embora muito tenha sido feito, muito há ainda para fazer, e acho que a freguesia merece todo o esforço e empenho. Para o futuro, para além dos projectos que lhe referi, anteriormente, teremos que juntar ao facto de ser bom viver em São Pedro, tentar fazer com que a freguesia seja ainda mais bonita, agradável e acolhedora, para que nos possamos continuar a orgulhar de aqui viver. |