Paulo Pinheiro, deputado municipal em Odivelas evocou a memória do 25 de Abril de 1974 e do 25 de Novembro de 1975, num discurso de onze minutos. O deputado do PSD surpreendeu pela lucidez, muito maior que muitos dos políticos mais mediáticos. O autarca fez a sua prédica em torno de uma frase que celebrizou Rosa Luxemburgo, uma marxista que acabaria por ser também ideóloga da social-democracia: "Quem não se movimenta não sente as correntes que o prendem". Primeiro proferiu a frase na língua da autora, o alemão e depois traduziu-a servindo-se dela para abordar os novos desafios que nos esperam e o que deveremos fazer quase de imediato.
Pedro Mota Soares, cuja nomeação causou enorme estranheza em alguns meios políticos, sobretudo entre os que deixaram de ser poder, tão-só porque era novo demais para tão alto cargo – o de ministro da Solidariedade e Segurança Social - revela-se como um dos melhores membros do actual governo. Percebe-se que faz ‘das tripas coração’: demonstra qualidade e rigor na distribuição dos dinheiros que possui na tentativa de ser eficaz no socorro social imediato porque tem a lucidez de perceber as dificuldades que cada vez mais portugueses encontram neste momento de crise aguda.
João de Almeida, vice-presidente da bancada parlamentar do CDS, fez uma declaração, afirmando que, "obviamente, os antigos titulares de cargos políticos também têm de partilhar o esforço dos pensionistas, no mínimo, na mesma proporção".
Nas principais intervenções do dia de ontem destacam-se o líder parlamentar comunista, Bernardino Soares, que afirmou ser esta uma altura especialmente grave da vida política, económica e social do país, não havendo "maioria maioria absoluta ou maioria reforçada que nos impeça de apontar o desastre das políticas seguidas (pelo governo) e o caminho da alternativa.