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Portugueses não têm "salão" para a dança das taxas Euribor |
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Escrito por José Maria Pignatelli
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Domingo, 02 Agosto 2009 00:56 |
A taxa de juros Euribor desceu a valores mínimos históricos. Em termos simplistas e para que se entenda, significa que, nos empréstimos entre instituições bancárias, o dinheiro está mais barato. Ao consumidor o custo do dinheiro só ficará mais acessível se a banca de cada país o entender de uma forma mais ou menos concertada.
A baixa da taxa de juros Euribor serve de ajuda efectiva ao ideal de recuperação das empresas e das economias domésticas com vista a manter os níveis do consumo, ainda que mínimos, na maioria dos países da zona euro. As bancas praticam o juro de referência do Banco Central Europeu e mantêm os níveis baixos dos spreed que vigoravam quando a taxa Euribor atingiu os valores mais altos. A questão é simples: os Estados ajudaram as instituições bancárias com a injecção de biliões de euros para sanear as suas finanças e recuperarem a credibilidade e a sua capacidade de crédito, de forma a colaborarem activamente na retoma das economias. Foi e é assim em muitos países Membros da União, mas não o é em Portugal. A banca nacional aproveita este período para reconquistar as percas - subsidiaram-se com milhões dos cofres do Estado e aproveitam para dobrar ganhos nos spreed's. O resultado é que a baixa da taxa Euribor pouco ou nada se sente entre quem procura fazer empréstimos, ora seja para aquisição de habitação ora para re-equilibrar a tesouraria das empresas, maioritariamente pequenas ou médias. Assim, com a banca comercial, o Estado contraiu mais divida pública sem que isso fosse sentido no tecido económico não correspondendo claramente aos desejos de todos. Mais uma vez temos um governo que age com medidas avulsas, admitindo a existência de um sector da banca que não actua em liberdade e com responsa-bilidade mas sim com a libertinagem a todos os títulos reprovável, num momento em que a maioria dos agentes económicos do País, precisamente as PME, atravessam enormes dificuldades. Mais, o Estado gastou 1,3% do PIB com as medidas para ajuda às empresas e ao emprego, enquanto que com a banca disponibilizou quase 3% do Produto Interno Bruto, sendo que 1,5% se destinou a salvar o BPN. É claro que se percebe que a banca portuguesa vive quase exclusivamente do mercado interno e tem entre os seus gestores alguns malfeitores que, além de terem jogado o dinheiro dos depositantes em produtos financeiros de risco, sem qualquer autorização dos mesmos, estão convencidos da sobrevivência sem a dinâmica de consumo e das exportações das pequenas e médias empresas. Temos efectivamente um poder político permissivo aos agentes económicos de maior dimensão - olhemos ao que se passa com o regresso dos aumentos dos combustíveis, num período em que apenas se verificam oscilações pouco significativas do preço do barril de petróleo. Mas é de facto grave que o governo não tenha capacidade para dar um «puxão de orelhas» à banca, para quem nos últimos meses disponibilizou mais de três biliões de euros, para ajudar precisamente à recuperação das empresas e das famílias.
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Actualizado em Segunda, 03 Agosto 2009 00:42 |