A União Europeia autorizou pela segunda vez os governos dos países membros a injectar dinheiros públicos na banca por forma a criar liquidez e a restabelecer a confiança no sector financeiro e consequentemente no mercado internacional de capitais.
Desta vez, trata-se do ‘plano B' - eliminar as percas geradas pelos ‘activos tóxicos'. Quer isto dizer ‘tapar os buracos' gerados pelos investimentos de activos em fundos de risco mobiliários e imobiliários quase todos especulativos e que motivaram este verdadeiro trambolhão do mercado internacional. Portanto, mais do mesmo - os contribuintes europeus vão continuar a pagar os erros dos gestores bancários que arriscaram o capital dos accionistas e o dinheiro dos clientes - uns consentidos outros não consoante a ganância de cada um - num jogo especulativo sem regulamentação e fiscalização. Os mais aflitos estão nos países do centro e sul da europa e são raras as excepções. Aguarda-se que os resultados sejam francamente melhores que a anterior injecção de capital, na banca, que não deu em nada - nem sequer abanou o consumo nem trouxe confiança aos investidores. Mas desta vez será possível ter a certeza sobre quais as instituições bancárias que agiram bem, menos bem, mal e muito mal. Vamos de facto saber quem tem mais dos chamados ‘activos ‘tóxicos'. No entanto, e além desta eventualidade, não teremos certeza alguma sobre o benefício desta medida, que poderá novamente ‘servir para o boneco'. Mas a iniciativa é ainda mais preocupante se atendermos ao elevado número de despedimentos colectivos, e fecho de empresas, que alastram neste conjunto de países liderados por eurocratas, onde as medidas para encorajar as actividades socio-económicas têm sido frágeis, salvo a excepção britânica, italiana e espanhola. De qualquer modo, estes países têm feito pela vida, incentivando campanhas proteccionistas do género "compre nosso para salvar o emprego do vizinho", pressionando inclusivamente à redução da importação de determinados produtos e mantendo os elevados subsídios de desemprego na tentativa de manter os níveis do consumo, tanto mais que se atravessa um período com uma taxa de inflação muito baixa mas que importa não deixar cair na intitulada e perigosa deflação. Naturalmente, que estes países podem de certa forma encorajar o proteccionismo, porque têm mercados com 40 milhões e mais de con-sumidores e uma elevada percentagem das pequenas e médias empresas a produzir para o mercado interno. Portugal não se pode dar a estes luxos. O panorama é exactamente contrário: - Temos um mercado que não chega aos 10 milhões de consumidores; - Uma população activa que pouco ultrapassa os 5 milhões; - Um enorme conjunto de empresas PME's a fabricar directa ou indirectamente para a exportação; - As maiores empresas nacionais são de serviços - telecomunicações, banca, seguros, fornecimento de gás e electricidade - que são fundamentalmente suportadas pelo mercado interno e apresentam sempre lucros fantásticos mesmo em momentos de crise; - As grandes empresas tecnológicas são multinacionais que não se instalaram para cá ficarem sempre e, normalmente têm um único fornecedor de matéria prima e um único cliente que são quase sempre a mesma empresa. - O País é periférico e as melhores acessibilidades são por via rodoviária ao contrário do que deviam ser, porque a preferência vai sempre para o transporte ferroviário (mais rápido, económico, seguro e capaz de maiores volumes) ou marítimo que tem a vantagem de ir directo ao destino.
Plano de Obama castiga especuladores
Nos Estados Unidos, o plano Obama aprovado no Senado é aparentemente parecido - mas tem diferenças de fundo e dirigem-se sobretudo aos bancos que agiram mal, e muito mal, que deverão recuperar sozinhos, por força de aumento de capital social ou outra qualquer estratégia dos seus accionistas. O presidente dos Estados Unidos quer que o sistema financeiro recupere a confiança e para isso as instituições intervenientes têm de ter credibilidade. Obama também entende que se deve fazer acompanhar a intervenção na banca e mercado de capitais com intervenção no sector empresarial. Talvez seja a virtude de quem tem de pensar grande, porque tem de prestar contas a mais de 250 milhões de cidadãos. O presidente dos Estados Unidos sabe que as suas medidas vão fazer com que milhares percam lucros e fortunas, que os especuladores financeiros fiquem com uma reduzida margem de manobra e muitos desapareçam. Mas Barack Obama também sabe que a confiança atrairá de novo milhões de investidores e sobretudo os mais novos. É claro que estas mudanças agora perspectivadas atingem outros mercados como, por exemplo, os novos países emergentes da União Europeia, com economias frágeis onde os mercados financeiros são muito especulativos e onde se vive a troco de uma industria virada à exportação muito produtiva e com uma mão-de-obra barata. Países como a Polónia, República Checa, Bulgária e Hungria atravessarão período difícil, porque começam a ver diminuídas as exportações e terão de baixar os volumes de produção. E um período de despedimentos tem maior impacto socio-económico nestes países que nos aliados mais ricos - uma situação de despedimento de consumidores, já de si com salários baixos, atira o poder de compra para níveis tão baixos que poderemos assistir a uma deflação, tanto mais que o apoio e práticas sociais nestes países está distante do que se pratica a Ocidente. É quase garantido que vamos ter uma Europa dos 27 a duas, ou mesmo três, velocidades e com perspectivas de se verem agigantar as diferenças entre ricos e pobres. Se, por um lado, os investimentos a Leste só terão retorno a médio e longo prazo e até poderão tornarem-se mais sólidos, por outro, e nesta fase, as organizações internacionais como o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial desaconselham investimentos nos mercados financeiros dos antigos países do Leste Europeu.
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