De volta ao grande ecrã, Herman José continua a dar ao público o que sempre fez: bons momentos de humor, desta vez com o programa "Chamar a Música", ao domingo à noite, na SIC.
Ao nível de trabalho, em televisão, entrou numa área um pouco diferente daquela que nos tem habituado... Como está a ser a experiência? Herman José - Essa é uma pergunta de quem é muito novo, e não viveu os meus quatro anos seguidos de "Roda da Sorte" e "Com a Verdade M'Enganas" na RTP (de 1990 a 1994). Tive, na altura, um sucesso enorme com a apresentação de concursos. Dizem que a "História não se repete", mas é mentira. Estou, com o "Chamar a Música", a reviver o encantamento de interagir com pessoas.
Portugal pode estar em crise de tudo, menos na sua capacidade de fomentar afectos e boa disposição.
Recentemente vimo-lo a protagonizar um dos momentos mais hilariantes dos Globos de Ouro. Quer comentar? Herman - Nasceu de um momento perfeito. A Gala estava no seu melhor, eu estava divertido, fiquei radiante pelo Jorge Palma, e não pude evitar que o meu lado infantil tomasse conta do momento. Houve quem achasse discutível eu não ter deixado o Jorge chegar ao fim do discurso, mas, o essencial ele já havia dito quando recebeu o prémio: "até que enfim"!
Nos últimos anos surgiu uma nova geração de humoristas, como vê estes seus "descendentes"? Herman - Tenho muito orgulho neles. Lembro que a quadra que compõe os "Gato" foram meus autores de 1998 a 2005. Revejo-me na sua arte, no seu atrevimento e no seu humor. E, para ser sincero, invejo-lhes uma coisa: a juventude!
Podemos esperar mais um programa de humor do Herman, na televisão? Que projectos ainda tem em manga? Herman - A haver programas de humor, serão especiais. Já não me faz sentido voltar a uma série como o "Hora H". É demasiado trabalho, sangue, suor e lágrimas, para tão pouco impacto. Não deixarei, no entanto, de voltar pontualmente a desenterrar as minhas personagens. De resto, o "Serafim Saudade", a "Maximiana", e o "Nelo" têm lugar cativo nos meus shows ao vivo.
Além do seu trabalho mais mediático, na rádio e na televisão, o ‘Café Café' é uma outra actividade que, pensamos, lhe dá muito prazer. Como está a ‘casa'? Herman - O ‘Café Café' foi vendido, a um ilustre grupo do Porto, o "Twins". Neste momento estou a lutar pelo teatro Tivoli, do qual detenho a maioria. Temos grandes projectos para aquele espaço fantástico e tão emblemático.
A nível profissional, que novidades podemos aguardar? Herman - Acredito que 2009, será o ano do regresso de um grande programa familiar e abrangente, na SIC, que devolva à televisão portuguesa uma sala de estar de luxo. Ponto de passagem de todas as grandes atracções que passam por Portugal.
Sabemos que tem uma relação especial com Torres Vedras. Que recordações guarda da região? Herman - Tenho memórias tocantes das minhas férias em Matacães: a casa da minha bisavó Casimira (viúva do ex regedor), da tasca e da corroça do "Ti Zé Aniceto", da casa da minha avó Júlia (actual Casa do Povo) que um ataque de bicho da madeira quase fez implodir, dos passeios com a minha cadela à capela isolada do "Senhor do Calvário", das idas de bicicleta a "Runa", de saltar os muros da então florescentes quinta dos "Taroucas", para roubar pêssegos, do doce de figo da minha tia Laura... São memórias tão gratas e tão presentes, que quase poderia recriá-las, minuto a minuto, num filme a que chamaria "Há Infâncias Felizes".
Quer deixar uma mensagem ao nossos leitores? Herman - Preservem e cuidem do vosso "sítio". Num mundo de violência, desarrumação e crise, o oeste português, é um oásis abençoado!
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